Normas de Edição

Gerais:

  • O poema deve dialogar com a temática proposta no edital;
  • É possível enviar mais de uma proposta, desde que em arquivos separados;
  • Se o poema contiver imagens, essas devem ser enviadas em arquivos separados;
  • Poemas em prosa serão aceitos;
  • Serão aceitos poemas nas seguintes línguas: português, espanhol, inglês e francês;
  • No arquivo não deverá constar nenhuma identificação de autoria.

Formatação:

  • O poema deverá ser enviado em arquivo word;
  • A fonte deve ser Times New Roman, tamanho 12, justificado, espaçamento 1,5;
  • Deve conter no máximo 2100 caracteres contando os espaços, ou 90 versos;
  • O poema deve conter título;
  • Poemas que não dialoguem com a temática proposta e/ou que estiverem fora das normas não serão aceitos.

EDITAL DE CHAMADA DE PUBLICAÇÃO – NÚMERO 22

Para encerrar um ciclo da Travessa em Três Tempos, apresentamos o edital das despedidas. Quem nunca deu um abraço em aeroporto, rodoviária, na porta de casa antes do tchau? Esses espaços entre um encontro e outro, entre o agora e o depois, chegar e partir, são temas explorados na literatura e frequentemente na poesia. Essa mesma poesia que se tornou um lugar. Neste momento em que fomos forçados à reclusão sem as devidas despedidas, precisamos de abraços. O convite deste edital é abraçar com palavras. Estamos buscando poemas de temática livre, que digam de vontades, de saudades, de conforto, sonhos e, por que não, de esperança. Poemas pontes, que encurtem nossas distâncias e distanciamentos.

“O amor sobrevive. E seremos talvez amor e morte ao mesmo tempo.” – Hilda Hilst

“Poetas e escritores.
É assim que se diz.
Logo, poetas não são escritores, então o quê —
Os poetas são poesia, os escritores são prosa —
Na prosa pode caber tudo, inclusive a poesia,
mas na poesia deve haver só poesia —”
Wislawa Szymborska no poema “Medo do palco”, do livro Um Amor Feliz.

As submissões podem ser enviadas por este formulário até o dia 07 de julho de 2020.
Os autores receberão o resultado da seleção por e-mail até dia 01 de agosto de 2020.
O número 22 será publicado em 31 de agosto de 2020, no site da Travessa em Três Tempos.

Formulário para submissão de textos

Alguns poemas para se inspirar:

A alegria da escrita

Para onde corre essa corça escrita pelo bosque escrito?

Vai beber da água escrita

que lhe copia o focinho como papel-carbono?

Por que ergue a cabeça; será que ouve algo?

Apoiada sobre as quatro patas emprestadas da verdade

sob meus dedos apura o ouvido.

Silêncio — também essa palavra ressoa pelo papel

e afasta

os ramos que a palavra “bosque” originou.

Na folha branca se aprontam para o salto

as letras que podem se alojar mal

as frases acossantes,

perante as quais  não haverá saída.

Numa gota de tinta há um bom estoque

de caçadores de olho semicerrado

prontos a correr pena abaixo,

rodear a corça, preparar o tiro.

Esquecem-se de que isso não é a vida.

Outras leis, preto no branco aqui vigoram.

Um pestanejar vai durar quanto eu quiser,

e ser deixar dividir em pequenas eternidades

cheias de balas suspensas no voo.

Para sempre se eu assim dispuser nada aqui acontece.

Sem meu querer nem uma folha cai

nem um caniço se curva sob o ponto final de um casco.

Existe então um mundo assim

sobre o qual exerço um destino independente?

Um tempo que enlaço com correntes de signos?

Uma existência perene por meu comando?

A alegria da escrita.

O poder de preservar.

A vingança da mão mortal.

Wisława Szymborska

A rua do alecrim

Uma menina desenha uma estrela de cinco pontas

a esferográfica BIc na palma da mão de outra menina.

Chove, e mesmo assim o desenho não sangre:

é preciso muito mais do que certas condições

climatéricas para que o amor escorra.

Assisto a toda a cena e penso que esta visão,

real ou inventada,

é muito pior do que a verdade a bofetadas.

Matilde Campilho

XI

Quando terra e flores

eu sentir sobre o meu corpo,

gostaria de ter ao meu lado tuas mãos.

E depois, guardas meus olhos dentro delas.

Hilda Hist

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.
José Luis Peixoto